sábado, 4 de maio de 2013

[Opinião] “Revolução Paraíso” de Paulo M. Morais (Porto Editora)

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Ficha Técnica:

Págs.: 360
Capa: mole
PVP: 16,60 €

Sinopse:

Enquanto nas ruas se decide o futuro de um país, na tipografia de Adamantino Teopisto vive-se um misto de enredo queirosiano, suspense de um policial e ternura de uma novela: com sabotagens, amores proibidos e cabeças a prémio; tudo num ambiente de revolução apaixonado. O rebuliço generalizado tem repercussões no alinhamento do jornal e no dia a dia das gentes de São Paulo e do Cais do Sodré. A revolução é o tópico das conversas nas tascas, nas ruas, no prédio da Gazela Atlântica, contribuindo para o exacerbar das tensões latentes entre o patrão Adamantino e os funcionários. A vivacidade de uma estagiária, as manigâncias de um ex-PIDE foragido, os comentários de um taberneiro e as intromissões de um proxeneta e de uma prostituta agravam ainda mais a desordem ameaçadora que paira no ar. Nada foi igual na vida dos portugueses após a Revolução dos Cravos. Nada foi igual na vida da “família” Gazela Atlântica após o 25 de Abril.

Opinião:

Trinta e Nove anos passaram desde o 25 de Abril e já muito foi dito acerca desta época. Paulo M. Morais arriscou muito ao estrear-se com um romance num tema já tão explorado. “RevoluçãoParaíso” é o seu romance de estreia. Apesar disto ele consegue mostrar-nos um lado mais humano, mais ligado ao povo, da revolução.

O autor decidiu abordar, neste livro, os tempos conturbados pós-revolução. Na Gazeta Atlântica, ainda se vive em conflito com a adaptação a um mundo sem ditadura e sem censura, nesta época de transição um pequeno deslize podia levar a uma pessoa podia ser apelidada de reacionária.

Paulo M. Morais foi bastante fiel aos factos históricos conhecidos. Isto revela todo o trabalho de investigação que ele desenvolveu para o romance “Revolução Paraíso”.

As personagens que ele criou são bastante realistas e o autor conseguiu transmitir com sucesso os seus sentimentos e pensamentos ao leitor. Conseguimos sentir empatia com estas e os seus problemas, amores e desamores. Cada um estava preso às suas ideias e vivências. A maioria das personagens são masculinas, tendo apenas duas femininas a Eva e a Pandora, pelos seus nomes dão um anúncio de desgraça para o futuro das personagens do livro.

Quanto à evolução da acção, esta varia entre momentos mais rápidos e momentos mais parados, estes são as partes da Eva. Nesta parte, o autor tem um contacto mais directo com o leitor, alterando entre um narrador na terceira e um na primeira pessoa (Eva), nesta parte o autor é mais intimista e introspectivo. Mostrando assim a sua versatilidade de escrita e o seu domínio dos dois tipos de narradores, já que ambos não se encontram em conflito.

É um livro bastante interessante para todos os portugueses porque relembra os motivos pelos quais tanta gente lutou contra a ditadura.
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