quarta-feira, 15 de maio de 2013

[Opinião] “Os Guerreiros do Arco-íris” de Andrea Hirata (Editorial Presença)



Sinopse:

Os Guerreiros do Arco-Íris é o primeiro romance do escritor indonésio Andrea Hirata, que o escreveu como uma homenagem à sua escola, aos seus dois professores e ao grupo de crianças com quem cresceu e partilhou experiências que o marcaram para sempre. A história é contada na primeira pessoa por Ikal, um rapaz que tem seis anos quando o romance abre, e decorre na pequena ilha de Belitong, onde a maioria da população vive em condições de extrema pobreza. Os Guerreiros do Arco-Íris vendeu mais de cinco milhões de cópias na Indonésia, fazendo de Andrea Hirata o escritor mais vendido de sempre no seu país e também o primeiro a alcançar sucesso internacional.

Ficha Técnica:

Edição/reimpressão: 2013
Páginas: 280
Editor: Editorial Presença
ISBN: 9789722350327

Opinião:

Este livro é o primeiro romance de Andrea Hirata.  É um livro que nos surpreende pelo seu realismo e pela escrita leve e de fácil acesso do seu autor. Uma nota que tenho de fazer acerca da revisão é de as notas da tradutora estarem na mesma página que estamos a ler o que facilita imenso a leitura. Isto porque não temos de andar para trás e para a frente à procura de significados de termos que não conhecemos, é de valorizar o trabalho da Maria João Freire de Andrade. A qual quando me falou deste livro me disse que o ia adorar e ela tinha razão.

É um livro que nos mostra uma realidade que preferimos ignorar. A vida num país dominando pelo poder e pelo lucro fácil com a exploração dos habitantes. Seguimos os passos de crianças cujos pais tiveram de fazer sacríficos para os mesmos poderem ir para a escola. Num país onde o trabalho infantil era utilizado em larga escala, explorando os pais que não tinham possibilidades de sustentar os inúmeros descendentes, a educação era considerado um luxo.

Andrea Hirata baseou-se na sua própria infância para homenagear os seus professores e colegas, que lutaram contra tudo e contra todos para que estes tivessem uma boa educação. Parece-nos surreal que ainda existam locais como o do livro, com escolas decrépitas e sem qualquer condição. Mas que ainda subsistem graças à força de vontade dos seus professores e dos poucos pais que ainda contam com elas para que os seus filhos ainda tenham alguma educação.

É um livro rico em contrastes sociais, onde são evidenciadas as diferenças entre etnias que coabitam na Indonésia. Um país cuja fama cá em Portugal não é a melhor, lembro-me de uma altura em que cá se falava em não se adquirir nada deste país pelos mais diversos motivos.

Andrea consegue transmitir com clareza o que se passava naquela escola e o que tinham de enfrentar diariamente. Como a vida de uma família inteira podia mudar da noite para o dia e como as pequenas vitórias eram algo de bom e que enchiam as personagens de alegria.

As personagens deste livro são realistas porque são baseadas nos colegas e amigos do autor. Fazendo com que o leitor se sinta ainda mais envolvido na história.

É um livro extremamente real e que se recomenda vivamente a todos os leitores que queiram conhecer a realidade de um outro país rico em recursos naturais, mas onde estes são explorados apenas para o benefício de alguns.

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