terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

[Opinião] “Uma Promessa de Felicidade” de Anita Shreve (Porto Editora)

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Sinopse:

Margaret e Patrick estão casados há apenas alguns meses quando decidem partir para o Quénia, convencidos de que irão viver uma grande aventura em África. No entanto, Margaret depressa se apercebe de que não conhece os costumes complexos do seu novo lar e tão-pouco o homem que tem ao seu lado.
Quando, certo dia, um casal inglês os convida para escalar o monte Quénia, eles aceitam, entusiasmados, o desafio. Porém, durante a árdua subida, ocorre um terrível acidente e, no rescaldo da tragédia, Margaret ver-se-á enredada numa teia de dúvidas sobre o que se passou realmente na montanha. Estes acontecimentos, que a irão afetar profundamente, terão consequências indeléveis no seu casamento.
Uma Promessa de Felicidade retrata-nos a relação de um casal, o impacto definitivo da tragédia e a natureza esquiva do perdão. Com uma linguagem soberba e uma enorme profundidade, Anita Shreve conduz-nos pelas paisagens exóticas de África, numa viagem até ao interior de nós mesmos.

Ficha Técnica:

Edição/reimpressão: 2013
Páginas: 272
Editor: Porto Editora
ISBN: 978-972-0-04551-5

Opinião:

Quando li a sinopse deste livro a minha curiosidade aguçou-se. Este aborda a vida de um casal recém-casado que se muda para o Quénia por causa do trabalho de Patrick enquanto Investigador de doenças tropicais.
A perda da inocência por parte das personagens após uma tragédia é o ponto de viragem do livro e que provoca uma alteração na vida perfeita das personagens. A subida ao Monte Quénia, tomada por todos como uma diversão torna-se um pesadelo. Margaret é a mais lenta e que tem mais dificuldades na subida, ignorada pelo próprio marido durante o percurso apenas encontra conforto e encorajamento em Artur, que pode ter ou não ter segundas intensões. Uma expedição mal preparada que acaba por acabar em catástrofe. A personagem principal, Margaret tenta superar a vida enquanto a vida lhe traz mais surpresas e tragédias.
Este foi o primeiro livro que li desta autora, da qual a Porto Editora já publicou outros dois títulos, “Testemunho” e “A Ilha dos Desencontros”. Fiquei bastante satisfeita com esta leitura porque vai para além da vida do casal, a autora também nos mostra a realidade da vida em África e as diferenças sociais entre as classes sociais e entre as diferentes etnias. E também do confronto entre culturas, como é o caso dos ocidentais e os massai.
Os conflitos internos das personagens estão bem descritos e as suas personalidades bem vincadas. Bem como os confrontos entre elas e os efeitos que os acontecimentos têm em cada uma. Margaret é uma mulher que tem as suas inseguranças e tenta se encontrar ao longo do livro, perseguindo os seus interesses e os seus ideais. A procura do equilibro torna-se uma obsessão, assim como salvar o casamento com Patrick.
A sua procura leva-a a aceitar um trabalho onde vai ser confrontada com a complexidade da política queniana e com a corrupção. Com duas novas tragédias ela é separada do seu colega Rafiq, por quem começa a desenvolver sentimentos e que cria mais um atrito no seu casamento já de si fragilizado.
As descrições das paisagens africanas são pormenorizadas, muito realistas possivelmente baseadas no que viu durante os três anos que viveu em Nairobi, no Quénia.
“Uma manada de antílopes-anões atravessou velozmente à frente do carro e ela teve a sensação de estar a assistir a um filme em cinerama da sua infância. Estavam rodeados pelo som de insectos, mas Rafiq ia mantendo uma velocidade suficiente para evitar a entrada daquelas densas nuvens no carro. De vez em quando, Margaret tinha de enxotar uma mosca curiosa. O cheiro dominante recordava-lhe cânhamo.”
Esta citação é apenas um exemplo de como as suas descrições abrangem todos os sentidos, transportando-nos para aquelas paisagens exóticas.
Um livro surpreendente com um final inesperado, que encanta o leitor
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