sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

[Opinião] "Dora Bruder" de Patrick Modiano (Porto Editora)

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Sinopse:

Anos atrás, o narrador deparara-se com um anúncio publicado no Paris-Soir de 31 de dezembro de 1941: «Procura-se uma rapariga, Dora Bruder, de 15 anos…» Quem era Dora Bruder? Desde esse dia, o destino da jovem judia enredada nas malhas da ocupação nazi nunca mais o largou, obcecado que estava em reconstruir a sua história até aos momentos finais no campo de Auschwitz.

Este livro (como, aliás, toda a obra do autor) é assim um combate contra o esquecimento, uma afirmação portentosa dos caminhos redentores da memória - contra tudo aquilo que nos macula e destrói. Com ele, Modiano escreveu porventura a sua melhor obra - e uma das mais notáveis da moderna literatura francesa.

Ficha Técnica:

Edição/reimpressão: 2015
Páginas: 112
Editor: Porto Editora
ISBN: 978-972-0-04721-2

Opinião:

Há livros que são clássico e livros que temos de ler porque sabemos que estes nos vão marcar de alguma forma e nos fazer em pensar acercada própria condição humana. São estes livros que têm de estar em qualquer biblioteca, seja esta pública ou privada. "Dora Bruder" é um desses livros. Li-o ontem à noite e fiquei rendida à escrita de Patrick Modiano. Após ter devorado este livro compreendi de uma forma plena o motivo para este ter sido galardoado com o prémio nobel da literatura no ano passado.

Este livro nasceu de uma questão que o autor colocou a si próprio (após discussão com um amigo) quando viu um anúncio de jornal: "Quem era Dora Bruner?". Escrito para o autor encontrar uma possível resposta, este leva-nos a pensar na fragilidade da vida humana e o flagelo que foi a Segunda Guerra Mundial e quantas mais Doras existiram por essa Europa fora e que foram integradas num número esquecendo-se  que elas também eram indivíduos que um dia viveram, que amaram e que sofriam e o final das suas vidas foi passado em dor e sofrimento num campo onde sabiam que muito provavelmente acabariam numa vala comum ou num forno, já que toda a sua identidade lhes tinha sido retirada.

Um relato emotivo que vai mexer com o leitor e com a sua noção do Holocausto, dando-nos uma visão mais pessoal deste. Vemos uma menina que tinha toda a vida pela frente a ser vítima de um regime totalitário que era dirigido por um louco.

"Dora Bruner" é um livro muito intenso e a forma de escrever de Modiano é bastante crua e sem grandes floreados, o que permite ao leitor uma melhor compreensão da história e uma leitura rápida.

Este livro não é um livro cuja leitura termine com a última página mas é sim um livro que nos vai acompanhar e ponderar acerca da vida bem depois de o termos pousado.

"Dora Bruner" é um dos melhores livros que alguma vez li. 
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