segunda-feira, 15 de julho de 2013

[Opinião] “A Voz” de Anne Bishop (Saída de Emergência)

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Sinopse:

Uma obra original da autora da Trilogia das Jóias Negras, escritora consagrada nos tops do New York Times

Uma novela pertencente ao mundo Efémera

Numa aldeia vizinha da cidade de Visão ninguém conhece o sabor da mágoa e da angústia, mas essa comunidade, aparentemente idílica, esconde um segredo tenebroso. Quando era pequena, Nalah não percebia porque a mandavam levar um bolo à menina muda a quem chamavam «A Voz» sempre que se sentia mal. Sabia apenas que isso a ajudava a melhorar. Já crescida, desvenda esse mistério e anseia por fugir da aldeia opressiva onde sempre viveu. Só depois de visitar a cidade de Visão e de conhecer o Templo das Mágoas, compreende o que tem de fazer para se libertar…

Ficha Técnica:

Chancela: Saida de Emergência
Data 1ª Edição: 22/02/2013
ISBN: 9789896374921
Nº de Páginas: 128
Dimensões: [110x170]mm

Opinião:

Eu já li os três livros da autora da trilogia das Joias Negras e gosto bastante desta autora. Nesta novela, Anne Bishop, apresenta-nos um mundo diferente, talvez menos negro do que os do sangue, onde tudo nos parece cor-de-rosa, mas onde um segredo é mantido a todo o custo.

Novamente, a autora cria personagens femininas bastante fortes e com quem nos podemos identificar facilmente. Pouco sabemos acerca da “Voz”, uma rapariga muda que e o foco central desta novela. Anne Bishop, já nos habituou a tocar em temas sensíveis e torna-los visíveis, alertando assim para um problema social, neste volume vemos os casos de violação que são sancionados por todos devido às regras antigas e aos costumes de um povo.

Nalah acaba por tomar consciência de tudo o que se passava na sua aldeia e o que era feito pelos aldeões. É ela que narra a história e que nos revela o mundo. Vamos conhecendo os segredos e os acontecimentos através da sua voz e conforme ela também os descobre. Isto cria uma ligação íntima com o leitor, facilitando a interacção e a identificação com as personagens.

Anne Bishop revela uma vez mais a sua capacidade de agarrar o leitor.

A rapariga não me recebeu sozinha e uma das pessoas que a acompanhavam era um jovem entroncado. Estava vestida de túnica com capuz a condizer. As mangas da vestimenta tinham sido desenhadas com engenho, mas não disfarçavam o facto de a Voz ter os braços amarrados à cadeira. Como se não bastasse terem-na privado até da ilusão de liberdade… tinham-lhe feito qualquer coisa para permitirem que o acompanhante, aplicando alguma pressão sobre um perno de madeira introduzindo um objecto que se encontrava na boca dela, lhe abrisse os maxilares à força para as oferendas serem enfiadas no orifício. Depois fechava-lhe a boca à força, para não cuspir as guloseimas.

Neste excerto vemos um pouco da crueldade daquele mundo e como a autora consegue fazê-lo transparecer de uma forma crua. Este volume está escrito de uma forma mais acessível e de mais fácil compreensão.


É um conto a não perder, e que nos abre a curiosidade acerca deste mundo.
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