terça-feira, 21 de maio de 2013

[Opinião] “O canto do anjo - a história de um castrato” de Richard Harvell (Editorial Presença)

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Sinopse:

Quando Moses Forben, cantor conhecido como Lo Svizzero, morre, o seu filho Nicolai encontra entre as suas coisas um maço de papéis. Ao lê-los, descobre o segredo das origens daquele homem a quem chamava pai, mas que não poderia sê-lo, uma vez que era um castrato, possuidor de uma angelical voz de soprano.
Richard Harvell escreve num impressionante registo que nos transmite a vibração da infinidade de sons que o seu personagem distingue e reproduz com a voz, e recria o grau de melodramatismo que é a ópera na sua essência. E tal como a voz de Lo Svizzero, O Canto do Anjo atinge o sublime, vibrante de paixão, dor, coragem e beleza.

Ficha técnica:

Coleção: Grandes Narrativas
Nº na Coleção: 511
Data 1ª Edição: 17/08/2011
Nº de Edição:
ISBN: 978-972-23-4602-3
Nº de Páginas: 432
Dimensões: 150x230mm
Peso: 477g

Opinião:

Nas aulas de história eu aprendi acerca dos castrati, e como eles eram adorados como anjos. Mas nunca compreendi plenamente as implicações deste acto até ler o livro “O Canto do Anjo” pela primeira vez. O drama e todos os sentimentos de Moses são relatados ao pormenor nestas páginas. Finalmente percebi. E o que significa para um homem a perda da sua virilidade e como isso não o impede de amar uma mulher e a frustração que sente por não se conseguir entregar plenamente ao amor.

Richard Harvell criou uma história envolvente e emocionante, repleta de momentos altos que aumentam de intensidade até atingirem o clímax nos capítulos finais. Criando cenários que nos levam numa viagem desde as luxuriantes e frias paisagens dos Alpes, às sujas e escuras ruas de Viena, as quais o autor descreve com uma habilidade impressionante, não se descurando e permitindo ao leitor viajar com as personagens. O livro está reletp de descrições sonoras, a respiração, o repicar dos sinos, a respiração, o cantar do coro. Aos poucos somos levados numa viagem pelos sons tanto como pela visão.

A minha mãe estava suficientemente bem para se ter levantado sozinha do chão lamacento e ter subido até aos seus sinos! E estava agora a tocá-los tão violentamente como se estivesse a bater nas próprias montanhas com os seus martelos.

Este é um dos momentos onde o autor associa os sons à acção e que mostra a sua destreza enquanto escritor.

Moses é a personagem principal do livro, tal como todos os outros está bem desenvolvido, é como um vinho que levou o seu tempo a amadurecer na pipa. Acompanhamos o seu crescimento, já que toda a narração é efectuada por ele, conhecemos todos os seus sentimentos mais íntimos e os seus medos. Toda a narração é do seu ponto de vista e não sabemos o que acontece às outras personagens quando não estão com ele. ,as a história não perde com isso, porque acaba por criar uma espécie de mistério acerca do que se segue.

Em “O canto do Anjo”, a vasta maioria das personagens são masculinas, o que é resultado da maioria da acção se passar num mosteiro, isto não torna a acção maçadora. A consequência é tornar as personagens femininas mais exóticas e mais misteriosas. Como é o caso da Amália, a sua amiga de infância, que quando aparece nas páginas do livro domina todos o espaço e acaba por tomar posse de tudo e da nossa atenção. Queremos sempre saber mais acerca dela e, aos poucos, o autor revela-nos o que queremos saber.

Em “o canto do Anjo” aprendemos o verdadeiro sentido da amizade e do amor. É uma bela história, por vezes demasiado crua, que nos ensina que a vida nem sempre corre como planeamos. Um livro que se devora da primeira à última página e nos deixa a desejar pelo próximo volume.
Uma aposta da Editorial Presença, para mais informações clique aqui.
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