quinta-feira, 5 de setembro de 2013

[Opinião] “Morte na Arena” de Pedro Garcia Rosado (TopSeller)

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Sinopse:

Quatro homens aparecem mortos num prédio devoluto, ao lado de um braço decepado que não pertence a nenhum deles. Com o passar dos dias começam a surgir outros membros humanos espalhados por Lisboa, até ser evidente que são partes do corpo de uma jovem de dezasseis anos, filha de um dirigente político, que foi assassinada e que estava desaparecida havia meses.

As investigações destes casos estão a cargo da inspetora-coordenadora da PJ, Patrícia Ponte, ex-mulher de Gabriel Ponte, que enfrenta agora obstáculos dentro da própria PJ, além da pressão do ex-marido, que quer informações sobre o caso, e da jornalista Filomena Coutinho, que foi a causa da separação deles.

Os três acabam por descobrir um inferno escondido nos túneis subterrâneos de Lisboa: uma arena onde especialistas em combate corpo a corpo massacram homens e mulheres, numa imitação dos combates de gladiadores da Roma Antiga.

Ficha Técnica:

Público: Adulto
ISBN: 978-989-8626-18-9
Ilustrações: Não
1ª Edição: Agosto de 2013
Edição actual: 1ª edição
Depósito Legal: 362762/13
Páginas: 352 pp, a 1 cor
Apresentação: Capa mole
Dimensões: 150 x 230 x 23

Opinião:

Pedro Garcia Rosado tem sido inovador no panorama editorial português. O estilo do autor não é típico e quebra bastantes dogmas da literatura nacional. Este é bastante cru e directo. As descrições pormenorizadas deveriam chocar alguns leitores mas são tão naturais que acabamos por as aceitar e ler facilmente e só depois é que pensamos mas ele escreveu mesmo isto? O livro é viciante e acabamos por ler de uma ponta à outra. Eu não consegui parar de ler até o acabar. Tinha de o ler, foi uma necessidade que senti desde o primeiro parágrafo.

Ninguém estava interessado em vestígios de gotas de sangue na calçada à portuguesa de uma rua de Lisboa onde, ao sábado, nada acontece. É um dia vazio de trânsito e as quatro pessoas que moram nessa rua não andam a olhar para o chão. Só o fazem para não tropeçarem nas pedras desniveladas ou para evitarem uma qualquer porcaria.

O Prólogo deita-nos por terra e lança um mistério que tem de ser resolvido.

Pedro Garcia Rosado torna Lisboa o palco de uma série de homicídios macabros e de um serial killer que ninguém entende e todos tentam encontrar. O mistério vai-se adensando e pequenas pistas são deixadas ao longo das páginas e aos poucos o autor revela o que está a acontecer sem nunca revelar as verdadeiras identidades de algumas personagens. Desconfiamos de certas coisas mas nada sabemos até aos momentos finais alucinantes.

De todas as personagens as que preferi foram duas e que nem são principais, uma é a Filomena que me capturou pela sua tenacidade e pragmatismo. Acima de tudo a coragem de enfrentar todas as situações que se põem no seu caminho. A segunda foi o mendigo, o Diabo, apesar de toda a sua loucura, surge como o justiceiro que defende os mais fracos e os esquecidos, aqueles por quem passamos na rua e ignoramos.

A Patrícia aparece um pouco como uma sombra de Gabriel, não como a ex-mulher, mas sim como uma aprendiz que se sente descolada na presença dele. Este pelo seu lado surge como se tivesse medo de enfrentar algumas situações, como é o caso de enfrentar os filhos. Ele é capaz de se meter em situações arriscadas e as coisas mais simples parece que o ultrapassam. Enfrenta balas mas dos olhares reprovadores de duas crianças evita.


Quanto às descrições de Lisboa, o autor tem o cuidado de revelar o que rodeia e chamar a atenção a pormenores interessantes sem se tornar maçador nem quebrar o ritmo da acção. É um livro refrescante e com uma tensão de cortar à faca.
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