terça-feira, 16 de abril de 2013

Revolução Paraíso de Paulo M. Morais (Porto Editora)

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Título: Revolução Paraíso
Autor: Paulo M. Morais
Págs.: 360
Capa: mole
PVP: 16,60 €













Lançamento de Revolução Paraíso Mário de Carvalho apresenta romance de estreia de Paulo M. Morais
Esta sexta-feira, dia 19 de abril, às 18:30, na FNAC Chiado, em Lisboa,  Mário de Carvalho apresenta o romance de estreia do jornalista Paulo M. Morais, intitulado Revolução Paraíso, uma obra sobre a
liberdade e a revolta no pós-25 de Abril.A aposta neste novo autor português, por parte da Porto Editora, deu-se em função da qualidade e da pertinência da escrita de Paulo M. Morais.
Alternando realidade e ficção, este é um romance que transporta o leitor para os agitados dias da pós-revolução: o retrato de um país que, entre o PREC e as eleições livres, procura um novo rumo.
Nos próximos dias, Paulo M. Morais tem já agendadas outras apresentações do novo livro: FNAC Cascaishopping, a 20 de abril, às 17:00, e FNAC Almada, a 21 de abril, às 16:30.

SINOPSE

Enquanto nas ruas se decide o futuro de um país, na tipografia de Adamantino Teopisto vive-se um misto de enredo queirosiano, suspense de um policial e ternura de uma novela: com sabotagens, amores proibidos e cabeças a prémio; tudo num ambiente de revolução apaixonado. O rebuliço generalizado tem repercussões no alinhamento do jornal e no dia a dia das gentes de São Paulo e do Cais do Sodré. A revolução é o tópico das conversas nas tascas, nas ruas, no prédio da Gazela Atlântica, contribuindo para o exacerbar das tensões latentes entre o patrão Adamantino e os funcionários. A vivacidade de uma estagiária, as manigâncias de um ex-PIDE foragido, os comentários de um taberneiro e as intromissões de um proxeneta e de uma prostituta agravam ainda mais a desordem ameaçadora que paira no ar. Nada foi igual na vida dos portugueses após a Revolução dos Cravos. Nada foi igual na vida da “família” Gazela Atlântica após o 25 de Abril.


O AUTOR

Paulo M. Morais, nascido em 1972, cresceu nos arredores de Lisboa entre jogatanas de futebol, livros de aventuras e matinés de filmes clássicos. Licenciado em Jornalismo, trabalha em imprensa e multimédia. Fez crítica de cinema; especializou-se em gastronomia e viagens. Em 2006, de mochila às costas, deu a volta ao mundo. Nos últimos anos, além de escrever ficção, tem-se dedicado a conhecer e a divulgar o arquipélago dos Açores. Tem uma filha e já plantou um pessegueiro em Trás-os-Montes. Revolução Paraíso é o seu primeiro romance publicado.

EXCERTO

«Adamantino Teopisto e César Precatado adoravam-se e odiavam-se como só acontece nas amizades
extraordinárias. Facilmente evoluíam do elogio à injúria, do gracejo ao amuo, do companheirismo ao
distanciamento. Mas, no fim, havia sempre um retorno como se as suas almas e existências terrenas fossem
inseparáveis. Vinha de Moçambique a instituição, fácil e veloz, daquela intimidade enlaçada por referências e
citações retiradas das obras de Eça de Queiroz. A camaradagem entre os dois chegava a ofender quem ocupava o mesmo espaço; eles consideravam-se de uma dimensão superior, com direito de admissão reservado apenas aos detentores da senha. Mas se havia realmente senha, mais ninguém a conhecia. Frequentemente, as conversas entre Adamantino e César acabavam em brindes e exultações, assinaladas com gritos de «hurra!», face à conivência de ideias e à partilha de crenças. Igualmente casmurros, também prodigalizavam em arrelias.
Ao encontrarem um assunto separatista, entrincheiravam-se em frentes de batalha opostas. A primeira fase da ofensiva costumava ser cavalheiresca, por apreciarem o confronto ideológico feito com as armas da
argumentação. Porém, o debate honrado facilmente descambava numa guerra desenfreada, onde os excessos de linguagem eram arremessados como obuses. Adamantino, mais fervoroso, enfurecia-se com a aparente calma de César; o revisor raramente desatava a expressão estática do rosto. Mas qualquer um deles, ao seu estilo, era capaz de libertar uma saraivada de impropérios antiquados.»

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